quarta-feira, dezembro 05, 2012

Estatístico


Noventa e cinco por cento da população
Teme

Cinco por cento
Finge

Todos

Correm

Sem saber

Pra
Onde

quarta-feira, novembro 21, 2012

Repetições

Entrou no bar e pediu o drink mais barato.
O mais barato ainda era caro para a sede que sentia.
Entrou na mercearia. E comprou a mais cara garrafa de cachaça.

Vozes, precisava livrar-se das vozes. Lembrou quando sua mãe murmurou um grito em seu ouvido direito. E o murmúrio gritado ecoava consciência adentro.

O álcool apagava as manchas. Talvez.

Entrou na loja de conveniência. O guardete olhava-o inconveniente. Abraçava a aguardente. Olhou o relógio: quatro minutos antecediam as três.
Batatas industrializadas são caras! Lembrou de quando vendia batatas no centro da cidade. As minhas eram baratas. Pensou. Saiu ( sem as batatas).

Abraçando sua companheira caminhou  categoricamente pelas vias e via que não havia ninguém para observar tamanha elegância. Sentou e. Chorou.

Mais uma vez... as vozes. Eram duas... distantes...
Ai! Precisava bater na cabeça?
Eram sete da manhã. Eram dois policiais. Eram dois reais e. Já não havia mais...

quarta-feira, outubro 31, 2012

Onomatopéia referente ao som dos ventos

Quem dera fizessem
um poema ziguezagueado
dançado
num dois pra lá dois pra cá
a esquecer das folhas...

folhas que voam
com o vento
 giram e voltam
para o mesmo lugar

folhas de bananeira
folhas da mangueira
folhas de pagamento

folhas

o bicho folharal dos novos tempos

contas
tormentos

folhas do pastel frio
do esquecimento

folhas embrulhando a poeira
dos sentimentos

Quem dera eu fizesse um poema
ziguezagueando
o pensamento.

quarta-feira, outubro 24, 2012

MAO AMADA

Em homenagem ao "aniversário" de Manaus, resolvi postar este improviso:

Ando pensando, e costumo pensar caminhando...
Depois de observar os traseuntes gringos no Largo de São Sebastião, chego a conclusão de que somos gringos de alguma Manaus desconhecida... Eu gringo ao pegar um ônibus rumo ao T5, desconheço as linhas tortas de vias e veias manauaras. Rostos e traços exóticos a nós, gringos de nossa própria terra.
Da alegria de uma moça ao ver o rio Negro pela primeira vez, menina gringa filha de pais refugiados numa zona norte imensa, imersa pelos edifícios da orla oficial ( aquela apresentada aos gringos de fora). Os gringos de dentro sobre ti caminham em viagens, entre zonas, cada zona tem um centro, e continuamos a pensar que conhecemos e amamos viver reclamando, seja da lotação e demora do ônibus, seja do engarrafamento que atrapalha o compromisso, da falta de iluminação e de segurança ou  do péssimo atendimento em um estabelecimento comercial. Na Manaus de bares metade na rua, metade na calçada, ou das casas noturnas megalomaníacas... Sempre há um manauara gringo.
Há quem diga que conhece toda essa beleza, toda essa tristeza. E ama.
Penso,logo ando. E andando vou conhecendo esta cidade, nessa minha mania de gringueza.

av. Max Texeira, Manaus-AM

quarta-feira, outubro 17, 2012

Insone

Das diversas noites sem dormir surgiram versos, muitos. Mas alguns ganharam a luz do dia e consolidaram uma série (de)nominada "insone", e deles aqui a parte II .Não digo que as circunstâncias dominaram os versos, mas o contrário. Fiquem à vontade e não reparem a bagunça...


Insone II


O silencio
me corrompe
na desordem
da cama.

Dormirei
desacompanhada
do lado esquerdo
dos problemas.

A sirene
medicamental
me acordará
na madrugada.


                          

quarta-feira, outubro 10, 2012

A mulher do atirador de facas




A mulher do atirador de facas


Primeira faca

Uma moça, bela em seu colam colorido, maquiagem carregada e um coração abatido. Ele, de fortes traços latinos, trazia nas mãos um baú de madeira com uma pintura desgastada. Os dois caminhavam em silencio

Segunda faca

Pedro olha com seriedade para seu instrumento de trabalho, fecha um olho, concentra-se e atira a primeira faca em sua assistente, que agora é apenas um alvo a não ser acertado.

Ana não sabia o que o marido pensava enquanto atirava a faca, talvez não pensasse em nada, a concentração afinal deveria ser isso: não concentrar-se em nada.

Mas ele tinha coisas em mente, ao contrario do que imaginava a assistente entediada.

Pedro trazia consigo milhares de pensamentos na cabeça, talvez por isso Ana não soubesse distinguir bem o que ele pensava. Pedro pouco falava.

Terceira faca

A caixa que carregava era de uma espécie de madeira bem polida, já gasta pelo tempo e pelas andanças neste mundo afora.

Ana cuidava bem dos instrumentos do marido, o trailer em que moravam tinha uma mobília parecida com a pintura da caixa.

Ana quase nunca falava sobre o trabalho, afinal não se tinha muito que falar. Mas pensava. Pensava que em alguns anos o colam de assistente já não lhe serviria.

Quarta faca ou a faca de fogo

Pedro já não era mais o mesmo.

A profissão de atirar facas tornara-se cansativa

Quinta faca ou a faca de costas

Pedro sempre quis ser artista, aprendeu com o pai, trapezista. Ana viu Pedro e quis ser assistente e ele a quis como esposa. Hoje estão a duas décadas neste mesmo numero.

Pedro pensa que o publico gosta do sorriso de Ana, porque ela não tem medo.

Ana tem medo que um dia o numero de Pedro acabe.

Aplausos

Pedro pensa que foi mais um.

Ana pensa em quantos ainda virão.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Fuga





Fuga n.01

Corro em torno da lâmpada acesa
Acendo um cigarro sem fumar
Digo-te palavras apagadas
E descanso sem paz.


Fuga n.02

Olho no espelho reflexo sem corpo
Sinto um frio que habita calado
Entro para fora do equilíbrio
E bebo mais um pouco.

Fuga n.03

Não a busco como um detento
Sendo por dentro em mim liberto
Corro para a proteção das grades
E seguro  sinto estar completa.

sábado, julho 07, 2012

sexta-feira, julho 06, 2012

Biblioterapia





e ele
desacostumado com a tecnologia
olhou pra mim
com o livro na mão
no alto dos seus nove anos
e disse:
termino amanhã
deixei a página salva.

PrConseva

quarta-feira, junho 27, 2012

Nossas mãos


falam muito mais
do que eu
poderia falar

poderia falar

se alguma força estranha
não me impedisse

mas elas falam


nossas mãos falam
muito mais do que
eu ousaria dizer

poderia sentir

se uma lembrança viva
não me impedisse

mas elas sentem

nossas mãos sentem
muito além do que
eu ousaria tocar.


(ao senhor dos meus versos, Pricilla Conserva)

quarta-feira, maio 02, 2012

Eu posso?


Meu medo
Mundo mudo
Mando tudo
Nada tento
Tenho nada

Medo mudo
Mundo meu
Tento tudo
Mando nada
Nada tenho

Mando mundo
Mudo tento
Tenho tudo
Medo nada
Nada meu

domingo, abril 01, 2012

Eneida Escancarada

Quero recitar baixinho
em teu ouvido
e vou pronunciar teu nome,
Virgílio.

Primeiro Canto.
O canto escuro da sala
onde tua boca me cala,

Quero que  me desenhes
quero novamente
tuas mãos,
teus cabelos
E o silêncio.

Peculiares traços
dois corpos ocupando
o mesmo espaço

E mesmo que uma década nos separe,
estaríamos ali.

Segundo conto ou canto.
E o teu Enéias já não tem escudo
pois ele é a própria espada
e a brincadira
que esta Eneida guarda.

Destraiste teus escrúpulos
em serva quente
para embeber-me nela
lábio a lábio ardente.

Do começo
te vendo a cara
de bom moço
propôs- me uma canalhice.

E do bom moço nem se fala
preferi as carícias do canalha.

Quero contigo novamente
a Eneida devencilhada,
escancarada,
revigorando em mim
o teu Enéias,

no piscar de olhos,
uma imagem:
sou eu no papel
através da tua mão.

Mas as linhas
em que te (de)componho
são outras.

Quero novamente
nosso desenho
no espelho.
Dois corpos ocupando
o mesma imagem
Que o Enéias continue essa viagem

Por que
o destino te fez perfeito
pra minha impossibilidade?

domingo, março 25, 2012

Ida e Volta


 "volto pra casa sentindo frio sem saber se hoje choro ou sorrio 

amanhã, quando acordar, eu decido."



Cansei de ler as memórias
De um João que eu nem sei quem sou

De varrer a casa
Pelos mesmos destinos
Todos os dias

Ser mais um
.Orgulho forjado

Desapego da responsabilidade
Que me julgaram
Chama-me agora a loucura
Que eu nem sei quem sou

Não peço que me traga flores
Porque elas murcham
E não há graça nisso.

quinta-feira, março 01, 2012

Descabido


Descabido

 
Tanta gente
Importante
No batente

E a gente
Ao desfrute
Com a arte


Das minhas inspirações a mais linda, lúdica e sincera...

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

De repente é saudade


Tenho uns surtos nostálgicos, e mesmo eximindo-me de uma evasão de privacidade, acabo sempre a comentar esses meus sentimentos. Mas não há como ter poesia no meio sem que se desequilibre nessas coisas.

Meu blog foi sempre um misto de poesia, sonhos, realidades,coisas aleatórias... E isso é reflexo da minha confusão mental criativa. Os posts quase nunca têm relações de continuidade, ora falo de coisas banais, ora me revolto com um acontecido e acabo por escrever no calor da emoção, logo depois digo que não falarei mais sobre e/ou sob 'eu'. Alguns textos meticulosamente arquitetados, outros lançados ali, sem a menor revisão.

E porque, no andar da carruagem, parar para falar de mim, do blog, nessa DR repentina, quase sem nexo entre um parágrafo e outro , a foto e o todo e o título? Que espécie de diário é esse? Quem me lê? Quem se importa com isso?

A partir desses questionamentos comecei a ler desde o primeiro post. EU me importo com isso! Vi minha vida passar ao longo dos textos, o fim da adolescência e seus dramas discretos, de um achava ou não se achava em um mundo cruel e constrangedor. Sou meus escritos e eles são esse blog. Não ousaria uma falácia, mas ,pela lógica ,este blog sou EU!

Não estou completamente a vontade com as ferramentas tecnologicas, nunca estive, mais por uma questão de teimosia mesmo. Outra negativa: odeio lições de moral, moral da história, o que você quis dizer com esses versos e seus etc... (ou seria uma positiva?)

Sendo Este blog a minha personificação cibernética, isso tudo faz muito sentido...






( Nas fotos: minha polaróide ta sem filme - desde 1998! / meu projetor queimou a lâmpada - em 2009)

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Na margem direita do Negro, uma cidade, uma canção.

Este texto foi publicado em 2011 no site www.barcelosnanet.com, e a pedidos, aqui está na íntegra


Na margem direita do Negro, uma cidade, uma canção.
Porque devo ler este ensaio?
A cultura de um grupo representa suas ideias e valores, tornando-o característico e  único. Osterman(1988)[1] define o termo cultura como “a soma total de sua linguagem, dialeto, pensamentos, ações e comportamentos que foram aprendidos e transmitidos através dos anos.” E transmitida através de suas gerações, a cultura barcelense à revelia,  vai apresentando ao mundo seus representantes. Trato, em primeira pessoa, e  sem o menor receio, o dever a mim incumbido de relatar um aspecto da cultura barcelense através de uma história de vida. Permeio entre a admiração pessoal e a conhecida significância de tal figura. Não há de confundir-nos, ele não é a personificação dessa cultura, entretanto é indispensável para que as próximas gerações a compreendam.     
“Começando do início”
Começo pelo dia três de janeiro de 1974 quando, na cidade de Manaus, Basileu Ferreira da Silva e Valtina Gonçalves da Silva  trouxeram ao mundo seu oitavo filho, sendo que a partir daquele mesmo ano  sempre residiu em Barcelos, portanto barcelense nato. Em seus primeiros anos de vida Vadilson já dava sinais de sua veia artística, herdadas do pai que era músico. Sem mais delongas devo traçar a partir de então sua trajetória...
Não chore não querida que este deserto finda/Tudo aconteceu e eu nem me lembro/
Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo/Que logo no paraíso estaremos”.
Foi cantando o estridente refrão da musica Romance no deserto, de Fagner que o jovem Vadilson Gonçalves da Silva emocionou familiares e amigos em um concurso de calouros realizado no Centro Paroquial de Lazer e Confraternização –CEPALC- recebendo o primeiro lugar. Vadilson tinha grande participação nas atividades culturais da cidade, bem como nas escolas São Francisco de Sales e Padre João Badalotti nas quais estudou. Em  eventos como o aniversário do município era frequente como compositor de paródias memoráveis.
Cachaça e  tira-gosto no fundo do quintal
O inicio da carreira de vocalista foi quando o barcelense Afonso Queiroz resolveu montar em 1990 a banda “Raízes da Terra”  que tinha como integrantes: Chiquinho (teclado), Daniel Queiroz (baixo), Joãozinho (bateria) e João José (guitarra). Era a sensação daquela época, quem viveu sabe! Após o fim da banda formou o grupo “Revolução” somente com teclado e tinha como seu maestro o amigo Chiquinho, a dupla tocou por muitos anos. Mais tarde Vadilson ainda iria compor o grupo Itapuranga.
Atravessando gerações ainda fez parcerias com os maestros e amigos Joãozinho, Thales e Raimundinho,realizando bailes nas noites da cidade e em toda a região do Rio negro. Subir ou descer o rio nunca foi problema: em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Novo Airão sempre teve reconhecida a sua importância artística.
E seu eu por acaso (ou não) perguntar qual o primeiro, único e eterno grupo de pagode de Barcelos? Ouço o coro ululante de Barcelenses a responder: Cachasamba, aah! Pois  de uma brincadeira entre amigos, juntamente com o irmão Valmir Gonçalves, Vadilson foi  um dos fundadores do  grupo Cachasamba, no qual era percursionista e cantor. Unindo o útil, o agradável, talento, descontração, a cachaça e o samba...
O homem que balança o cardume Azul e Vermelho
No ano de 1995, primeiro ano que houve competição na festa de maior expressão cultural do município: o FESPOB - Festival do Peixe Ornamental de Barcelos, Vadilson foi o primeiro interprete do grupo Acará – Disco, campeão daquele ano.
A partir de 1998 começa a sua saga como cantor no seu peixe do coração, o Cardinal. Traçando uma longa história de dedicação, amor, muitos títulos e composições que entraram para a história, como a música “O mais Belo dos Cardumes”. Desde 1999 nunca deixou de ser executada um só ano no festival, levanta o cardume, uma espécie de “Vermelho” do garantido. No ano de 2008 mudou de função dentro do grupo defendendo o item de apresentador. Mais um talento desse barcelense, comprovado por não perder nem um ano no exercício do novo papel.
A hora e a vez da Cidade Porto
Em 2005 por força do destino Vadilson vai morar na cidade Caracaraí, no estado de Roraima, levando seu talento e a cultura de seu município na bagagem. Entra também para história do lugar como um dos idealizadores do primeiro Festival Folclórico de Caracaraí, no que diz respeito à concepção musical. O evento tem como competidores os grupos Gavião Caracará e Cobra Mariana. A  festa repercutiu em todo estado de Roraima atraindo muitos visitantes e  olhares positivos da crítica. Outra festa de grande expressão na cidade é o carnaval. Vadilson é puxador do Bloco “Eu e Você” e já deu três títulos ao bloco cantando composições de sua autoria.
Como acadêmico do curso de turismo da Universidade Estadual de Roraima – UERR representou o Campus de Caracaraí no YAMIX, um Festival universitário de música que acontece na fronteira do Brasil com a Venezuela na cidade de Pacaraima, cantando a música de sua autoria “Cidade Porto: eterno encanto”, uma espécie de hino de Caracaraí.


Para não restar dúvidas nem dívidas...
Apesar de não residir mais em Barcelos, Vadilson está todo ano presente no FESPOB fazendo parte da apresentação do grupo Cardinal, contribuindo com o seu peixe e conseguintemente para a evolução da cultura barcelense. Vadilson não é a estrela que brilha sozinha, muitas delas aclaram o negro do rio e ilustram a cultura desse povo. Aguardo apreciação e findo o ensaio com a sensação de que muito ainda está por ser escrito.  



Por Pricilla Conserva[2], baseado no relato pessoal de Vadilson Gonçalves.



[1] Eurydice V. Osterman é Professora de Música na Faculdade Oakwood, em Huntsville, Alabama. Obteve o doutorado em Artes Musicais pela Universidade do Alabama em 1988.
[2] Pricilla Conserva, professora, atriz e acadêmica do curso de letras- língua e literatura portuguesa da UFAM.