Quem dera fizessem
um poema ziguezagueado
dançado
num dois pra lá dois pra cá
a esquecer das folhas...
folhas que voam
com o vento
giram e voltam
para o mesmo lugar
folhas de bananeira
folhas da mangueira
folhas de pagamento
folhas
o bicho folharal dos novos tempos
contas
tormentos
folhas do pastel frio
do esquecimento
folhas embrulhando a poeira
dos sentimentos
Quem dera eu fizesse um poema
ziguezagueando
o pensamento.
quarta-feira, outubro 31, 2012
quarta-feira, outubro 24, 2012
MAO AMADA
Em homenagem ao "aniversário" de Manaus, resolvi postar este improviso:
Ando pensando, e costumo pensar caminhando...
Depois de observar os traseuntes gringos no Largo de São Sebastião, chego a conclusão de que somos gringos de alguma Manaus desconhecida... Eu gringo ao pegar um ônibus rumo ao T5, desconheço as linhas tortas de vias e veias manauaras. Rostos e traços exóticos a nós, gringos de nossa própria terra.
Da alegria de uma moça ao ver o rio Negro pela primeira vez, menina gringa filha de pais refugiados numa zona norte imensa, imersa pelos edifícios da orla oficial ( aquela apresentada aos gringos de fora). Os gringos de dentro sobre ti caminham em viagens, entre zonas, cada zona tem um centro, e continuamos a pensar que conhecemos e amamos viver reclamando, seja da lotação e demora do ônibus, seja do engarrafamento que atrapalha o compromisso, da falta de iluminação e de segurança ou do péssimo atendimento em um estabelecimento comercial. Na Manaus de bares metade na rua, metade na calçada, ou das casas noturnas megalomaníacas... Sempre há um manauara gringo.
Há quem diga que conhece toda essa beleza, toda essa tristeza. E ama.
Penso,logo ando. E andando vou conhecendo esta cidade, nessa minha mania de gringueza.
Ando pensando, e costumo pensar caminhando...
Depois de observar os traseuntes gringos no Largo de São Sebastião, chego a conclusão de que somos gringos de alguma Manaus desconhecida... Eu gringo ao pegar um ônibus rumo ao T5, desconheço as linhas tortas de vias e veias manauaras. Rostos e traços exóticos a nós, gringos de nossa própria terra.
Da alegria de uma moça ao ver o rio Negro pela primeira vez, menina gringa filha de pais refugiados numa zona norte imensa, imersa pelos edifícios da orla oficial ( aquela apresentada aos gringos de fora). Os gringos de dentro sobre ti caminham em viagens, entre zonas, cada zona tem um centro, e continuamos a pensar que conhecemos e amamos viver reclamando, seja da lotação e demora do ônibus, seja do engarrafamento que atrapalha o compromisso, da falta de iluminação e de segurança ou do péssimo atendimento em um estabelecimento comercial. Na Manaus de bares metade na rua, metade na calçada, ou das casas noturnas megalomaníacas... Sempre há um manauara gringo.
Há quem diga que conhece toda essa beleza, toda essa tristeza. E ama.
Penso,logo ando. E andando vou conhecendo esta cidade, nessa minha mania de gringueza.
quarta-feira, outubro 17, 2012
Insone
Das diversas noites sem dormir surgiram versos, muitos. Mas alguns ganharam a luz do dia e consolidaram uma série (de)nominada "insone", e deles aqui a parte II .Não digo que as circunstâncias dominaram os versos, mas o contrário. Fiquem à vontade e não reparem a bagunça...
Insone II
O silencio
me corrompe
na desordem
da cama.
Dormirei
desacompanhada
do lado esquerdo
dos problemas.
A sirene
medicamental
me acordará
na madrugada.
Insone II
O silencio
me corrompe
na desordem
da cama.
Dormirei
desacompanhada
do lado esquerdo
dos problemas.
A sirene
medicamental
me acordará
na madrugada.
quarta-feira, outubro 10, 2012
A mulher do atirador de facas
A mulher do atirador de facas
Primeira faca
Uma moça, bela
em seu colam colorido, maquiagem carregada e um coração abatido. Ele, de fortes
traços latinos, trazia nas mãos um baú de madeira com uma pintura desgastada.
Os dois caminhavam em silencio
Segunda faca
Pedro olha com
seriedade para seu instrumento de trabalho, fecha um olho, concentra-se e atira
a primeira faca em sua assistente, que agora é apenas um alvo a não ser
acertado.
Ana não sabia o
que o marido pensava enquanto atirava a faca, talvez não pensasse em nada, a
concentração afinal deveria ser isso: não concentrar-se em nada.
Mas ele tinha
coisas em mente, ao contrario do que imaginava a assistente entediada.
Pedro trazia
consigo milhares de pensamentos na cabeça, talvez por isso Ana não soubesse
distinguir bem o que ele pensava. Pedro pouco falava.
Terceira faca
A caixa que
carregava era de uma espécie de madeira bem polida, já gasta pelo tempo e pelas
andanças neste mundo afora.
Ana cuidava bem
dos instrumentos do marido, o trailer em que moravam tinha uma mobília parecida
com a pintura da caixa.
Ana quase nunca
falava sobre o trabalho, afinal não se tinha muito que falar. Mas pensava.
Pensava que em alguns anos o colam de assistente já não lhe serviria.
Quarta faca ou a faca de fogo
Pedro já não era
mais o mesmo.
A profissão de
atirar facas tornara-se cansativa
Quinta faca ou a faca de costas
Pedro sempre
quis ser artista, aprendeu com o pai, trapezista. Ana viu Pedro e quis ser assistente
e ele a quis como esposa. Hoje estão a duas décadas neste mesmo numero.
Pedro pensa que
o publico gosta do sorriso de Ana, porque ela não tem medo.
Ana tem medo que
um dia o numero de Pedro acabe.
Aplausos
Pedro pensa que
foi mais um.
Ana pensa em
quantos ainda virão.
quarta-feira, outubro 03, 2012
Fuga
Fuga n.01
Corro em torno da lâmpada acesa
Acendo um cigarro sem fumar
Digo-te palavras apagadas
E descanso sem paz.
Fuga n.02
Olho no espelho reflexo sem corpo
Sinto um frio que habita calado
Entro para fora do equilíbrio
E bebo mais um pouco.
Fuga n.03
Não a busco como um detento
Sendo por dentro em mim liberto
Corro para a proteção das grades
E seguro sinto estar completa.
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