sexta-feira, fevereiro 24, 2012

De repente é saudade


Tenho uns surtos nostálgicos, e mesmo eximindo-me de uma evasão de privacidade, acabo sempre a comentar esses meus sentimentos. Mas não há como ter poesia no meio sem que se desequilibre nessas coisas.

Meu blog foi sempre um misto de poesia, sonhos, realidades,coisas aleatórias... E isso é reflexo da minha confusão mental criativa. Os posts quase nunca têm relações de continuidade, ora falo de coisas banais, ora me revolto com um acontecido e acabo por escrever no calor da emoção, logo depois digo que não falarei mais sobre e/ou sob 'eu'. Alguns textos meticulosamente arquitetados, outros lançados ali, sem a menor revisão.

E porque, no andar da carruagem, parar para falar de mim, do blog, nessa DR repentina, quase sem nexo entre um parágrafo e outro , a foto e o todo e o título? Que espécie de diário é esse? Quem me lê? Quem se importa com isso?

A partir desses questionamentos comecei a ler desde o primeiro post. EU me importo com isso! Vi minha vida passar ao longo dos textos, o fim da adolescência e seus dramas discretos, de um achava ou não se achava em um mundo cruel e constrangedor. Sou meus escritos e eles são esse blog. Não ousaria uma falácia, mas ,pela lógica ,este blog sou EU!

Não estou completamente a vontade com as ferramentas tecnologicas, nunca estive, mais por uma questão de teimosia mesmo. Outra negativa: odeio lições de moral, moral da história, o que você quis dizer com esses versos e seus etc... (ou seria uma positiva?)

Sendo Este blog a minha personificação cibernética, isso tudo faz muito sentido...






( Nas fotos: minha polaróide ta sem filme - desde 1998! / meu projetor queimou a lâmpada - em 2009)

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Na margem direita do Negro, uma cidade, uma canção.

Este texto foi publicado em 2011 no site www.barcelosnanet.com, e a pedidos, aqui está na íntegra


Na margem direita do Negro, uma cidade, uma canção.
Porque devo ler este ensaio?
A cultura de um grupo representa suas ideias e valores, tornando-o característico e  único. Osterman(1988)[1] define o termo cultura como “a soma total de sua linguagem, dialeto, pensamentos, ações e comportamentos que foram aprendidos e transmitidos através dos anos.” E transmitida através de suas gerações, a cultura barcelense à revelia,  vai apresentando ao mundo seus representantes. Trato, em primeira pessoa, e  sem o menor receio, o dever a mim incumbido de relatar um aspecto da cultura barcelense através de uma história de vida. Permeio entre a admiração pessoal e a conhecida significância de tal figura. Não há de confundir-nos, ele não é a personificação dessa cultura, entretanto é indispensável para que as próximas gerações a compreendam.     
“Começando do início”
Começo pelo dia três de janeiro de 1974 quando, na cidade de Manaus, Basileu Ferreira da Silva e Valtina Gonçalves da Silva  trouxeram ao mundo seu oitavo filho, sendo que a partir daquele mesmo ano  sempre residiu em Barcelos, portanto barcelense nato. Em seus primeiros anos de vida Vadilson já dava sinais de sua veia artística, herdadas do pai que era músico. Sem mais delongas devo traçar a partir de então sua trajetória...
Não chore não querida que este deserto finda/Tudo aconteceu e eu nem me lembro/
Me abraça minha vida, me leva em teu cavalo/Que logo no paraíso estaremos”.
Foi cantando o estridente refrão da musica Romance no deserto, de Fagner que o jovem Vadilson Gonçalves da Silva emocionou familiares e amigos em um concurso de calouros realizado no Centro Paroquial de Lazer e Confraternização –CEPALC- recebendo o primeiro lugar. Vadilson tinha grande participação nas atividades culturais da cidade, bem como nas escolas São Francisco de Sales e Padre João Badalotti nas quais estudou. Em  eventos como o aniversário do município era frequente como compositor de paródias memoráveis.
Cachaça e  tira-gosto no fundo do quintal
O inicio da carreira de vocalista foi quando o barcelense Afonso Queiroz resolveu montar em 1990 a banda “Raízes da Terra”  que tinha como integrantes: Chiquinho (teclado), Daniel Queiroz (baixo), Joãozinho (bateria) e João José (guitarra). Era a sensação daquela época, quem viveu sabe! Após o fim da banda formou o grupo “Revolução” somente com teclado e tinha como seu maestro o amigo Chiquinho, a dupla tocou por muitos anos. Mais tarde Vadilson ainda iria compor o grupo Itapuranga.
Atravessando gerações ainda fez parcerias com os maestros e amigos Joãozinho, Thales e Raimundinho,realizando bailes nas noites da cidade e em toda a região do Rio negro. Subir ou descer o rio nunca foi problema: em São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel e Novo Airão sempre teve reconhecida a sua importância artística.
E seu eu por acaso (ou não) perguntar qual o primeiro, único e eterno grupo de pagode de Barcelos? Ouço o coro ululante de Barcelenses a responder: Cachasamba, aah! Pois  de uma brincadeira entre amigos, juntamente com o irmão Valmir Gonçalves, Vadilson foi  um dos fundadores do  grupo Cachasamba, no qual era percursionista e cantor. Unindo o útil, o agradável, talento, descontração, a cachaça e o samba...
O homem que balança o cardume Azul e Vermelho
No ano de 1995, primeiro ano que houve competição na festa de maior expressão cultural do município: o FESPOB - Festival do Peixe Ornamental de Barcelos, Vadilson foi o primeiro interprete do grupo Acará – Disco, campeão daquele ano.
A partir de 1998 começa a sua saga como cantor no seu peixe do coração, o Cardinal. Traçando uma longa história de dedicação, amor, muitos títulos e composições que entraram para a história, como a música “O mais Belo dos Cardumes”. Desde 1999 nunca deixou de ser executada um só ano no festival, levanta o cardume, uma espécie de “Vermelho” do garantido. No ano de 2008 mudou de função dentro do grupo defendendo o item de apresentador. Mais um talento desse barcelense, comprovado por não perder nem um ano no exercício do novo papel.
A hora e a vez da Cidade Porto
Em 2005 por força do destino Vadilson vai morar na cidade Caracaraí, no estado de Roraima, levando seu talento e a cultura de seu município na bagagem. Entra também para história do lugar como um dos idealizadores do primeiro Festival Folclórico de Caracaraí, no que diz respeito à concepção musical. O evento tem como competidores os grupos Gavião Caracará e Cobra Mariana. A  festa repercutiu em todo estado de Roraima atraindo muitos visitantes e  olhares positivos da crítica. Outra festa de grande expressão na cidade é o carnaval. Vadilson é puxador do Bloco “Eu e Você” e já deu três títulos ao bloco cantando composições de sua autoria.
Como acadêmico do curso de turismo da Universidade Estadual de Roraima – UERR representou o Campus de Caracaraí no YAMIX, um Festival universitário de música que acontece na fronteira do Brasil com a Venezuela na cidade de Pacaraima, cantando a música de sua autoria “Cidade Porto: eterno encanto”, uma espécie de hino de Caracaraí.


Para não restar dúvidas nem dívidas...
Apesar de não residir mais em Barcelos, Vadilson está todo ano presente no FESPOB fazendo parte da apresentação do grupo Cardinal, contribuindo com o seu peixe e conseguintemente para a evolução da cultura barcelense. Vadilson não é a estrela que brilha sozinha, muitas delas aclaram o negro do rio e ilustram a cultura desse povo. Aguardo apreciação e findo o ensaio com a sensação de que muito ainda está por ser escrito.  



Por Pricilla Conserva[2], baseado no relato pessoal de Vadilson Gonçalves.



[1] Eurydice V. Osterman é Professora de Música na Faculdade Oakwood, em Huntsville, Alabama. Obteve o doutorado em Artes Musicais pela Universidade do Alabama em 1988.
[2] Pricilla Conserva, professora, atriz e acadêmica do curso de letras- língua e literatura portuguesa da UFAM.