Os primeiros raios solares atravessaram a janela e refletiram em suas pálpebras. Abriu os olhos. Fitou com dificuldade, pois a dor de cabeça causava-lhe um caleidoscópio que lhe perseguia a visão.
Dor e luz difundidas. Tapou o rosto com o travesseiro e cobriu-se dos pés a cabeça. Deu um giro para o lado esquerdo, dois para o direito os quais fizeram-no ficar a um ponto de cair da cama.
Os pés, antes gélidos, agora pareciam formigar com o calor do sol que já invadira o quarto. Puxou-os, como fazia todos os dias, num alongamento quase acrobático. Fez o mesmo com braços e pescoço, contorcendo-se como um animal que acabara de nascer.
Voltando a condição humana esticou-se e em três segundos estava sentado na cama. A bagunça do quarto causava-lhe tanto desgosto quanto as dores de sua indisposição matinal. Afastou com um dos pés um livro jogado no chão, pôs o pé direito numa sandália e enfim, levantou-se.