Quero recitar baixinho
em teu ouvido
e vou pronunciar teu nome,
Virgílio.
Primeiro Canto.
O canto escuro da sala
onde tua boca me cala,
Quero que me desenhes
quero novamente
tuas mãos,
teus cabelos
E o silêncio.
Peculiares traços
dois corpos ocupando
o mesmo espaço
E mesmo que uma década nos separe,
estaríamos ali.
Segundo conto ou canto.
E o teu Enéias já não tem escudo
pois ele é a própria espada
e a brincadira
que esta Eneida guarda.
Destraiste teus escrúpulos
em serva quente
para embeber-me nela
lábio a lábio ardente.
Do começo
te vendo a cara
de bom moço
propôs- me uma canalhice.
E do bom moço nem se fala
preferi as carícias do canalha.
Quero contigo novamente
a Eneida devencilhada,
escancarada,
revigorando em mim
o teu Enéias,
no piscar de olhos,
uma imagem:
sou eu no papel
através da tua mão.
Mas as linhas
em que te (de)componho
são outras.
Quero novamente
nosso desenho
no espelho.
Dois corpos ocupando
o mesma imagem
Que o Enéias continue essa viagem
Por que
o destino te fez perfeito
pra minha impossibilidade?
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